A institucionalização da barbárie na terra, ou camisinha anti-estupro resolve alguma coisa?

Navegando por aí encontrei a notícia de que na África do Sul desenvolveram uma camisinha anti-estupro, o spray de pimenta do século XXI foi desenvolvido pela médica Sonnet Ehler para distribuírem durante a Copa da África do Sul.

Em conversa com a Jéssika começamos a problematizar o que seria a utilização deste artefato de self-defense, primeiro é que em nenhum momento usar a Rape-aXe evita realmente o estupro, na verdade em uma primeira olhada na verdade funciona apenas como um paliativo, pois seria fácil a identificação do agressor, visto que ele precisaria ir ao médico para extrair a camisinha.

Porém de que adianta ter identificação física e irrefutável do agressor visto que a maioria dos países não possuem leis protegendo as mulheres de violência sexual? Só lembrar que um país “desenvolvido” como a Suécia e que tem quase 90% dos casos de violência sexual que nem a julgamento foram.

No Brasil por exemplo é notório a intimidação de mulheres que vão às delegacias registrar boletim de ocorrência contra violência sexual e são recebidas com arguições do tipo: mas tu não não estava provocando? Com a camisinha anti-estupro seria algo: mas por que tu não estavas usando a sua camisinha anti-estupro?

É a institucionalização da barbárie, não temos como capacitar material humano para atender, respaldar as vítimas de violência sexual e então investimos em produtos que não vão evitar o ato em si e muito menos irão livrar as mulheres dos impactos psicológicos.

Fora o total tolhimento de liberdade da mulher, pois a mulher que se for estuprada  e saiu sem a camisinha se torna a culpada de não se ter conseguido identificar o agressor.

Outra coisa a ponderar é que apesar do agressor não poder fazer xixi ou andar ele ainda sim poderia facilmente bater na vítima estando em cima dela ao descobrir a camisinha, fora os casos de estupro coletivo que acontecem mundo afora.

Realmente não passa de institucionalização da barbárie na terra.

Até agora não encontrei estatísticas da África do Sul a respeito de aumento da prisão de homens encontrados com a Rape-aXe e acredito que não encontrarei tão cedo.

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3 responses to A institucionalização da barbárie na terra, ou camisinha anti-estupro resolve alguma coisa?

  1. Arttemia Arktos

    É como o vagão do metro só para mulheres, ou os táxis exclusivos para as mulheres muçulmanas no Egito: exclusão e determinação de espaços para mulheres e culpabilização, mais uma vez, se elas não aproveitam a ‘proteção’ que estas disposições e a tal camisinha proporcionam… Sem falar que nada disso impedirá o assédio e muito menos o estupro.

  2. Luci Mari

    Quanto a violência física ou moral cometida contra a mulher ainda existe, mas sempre tem que ser denunciado qualquer ato e nunca banalizado. É árdua essa luta, prova disso foi nossa Maria da Penha que apanhava por vários anos e denunciava e não era levada à sério e até que foi na OEA(Org.Estados Americanos/Direitos Humanos) e fez o Brasil se retratar já que é signatário (é membro) e lá fizeram o nosso país tomar uma providência sobre o Caso Maria da Penha, daí ela se mobilizou com as organizações políticas no Brasil e criaram a Lei que coloca o agressor na CADEIA, mas é preciso sempre coragem e não se intimidar! Saudações feministas de Luci/Canoas – RS.

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