Amandla Stenberger, a Rue de “Jogos Vorazes”, denuncia apropriação cultural no mundo pop

Fonte: Divulgação do filme Jogos Vorazes.

Fonte: Divulgação do filme Jogos Vorazes.

Vocês lembram da Rue? A aliada e amiga de Katniss na primeira vez que a heroína vai aos “Jogos Vorazes”. Então, a atriz, Amandla Stenberger, que interpretou a personagem do distrito 11 no primeiro filme da série gravou um vídeo falando sobre apropriação cultural violenta cultura negra realizada por Madonna, Taylor Swift, Katty Perry e Miley Cyrus.

A primeira coisa que acho incrível é o fato de uma garota de 16 anos, que atuou em um blockbuster importante para a cultura pop dessa geração ter uma crítica tão certeira sobre o faturamento que popstars, estilistas e afins tem em cima da cultura negra. Seja quando ela critica a Miley Cyrus fazendo twerk enquanto em seu clipe utiliza mulheres negras como apêndice (eu teria lembrado também da Lily Allen no vídeo Hard Out There que fez a mesma coisa), ou falando da Madonna usando grillz, Amandla faz um recorte fundamental no debate sobre apropriação cultural: estas pessoas se apropriam da cultura negra para ganhar milhões e se consagrarem como ícones pops arrojados.

No vídeo ela também resgata a intimada que Azelia Banks fez a Iggy Azalea na época em que Eric Garner foi estrangulado e se reabriu o processo de discussão e mobilização da negritude estado-unidense sobre racismo na segurança pública naquele país. Amandla também resgata uma entrevista muito boa de Azelia em que ela demonstra o quanto jovens brancos e jovens negros tem sua auto-estima trabalhada de forma diferente na sociedade e como a apropriação cultural ajuda nesse processo.

tweetamandlaO vídeo deu bastante repercussão nos EUA, e muito tentando colocar um confronto direto entre Amandla e as artistas criticadas. E a atriz apontou em seu twitter esse brutal “equívoco” da mídia estado-unidense. Ressaltando que o vídeo foi feito para suscitar reflexão e debate sobre a questão racial no mundo do entretenimento e não criar uma guerrinha de ego entre artistas.

Amandla encerra o vídeo com uma provocação importante, resgatando a importância de se relacionar o simbólico racial com as questões concretas que afetam os negros nos EUA: Como seria a América se amassemos os negros tanto quanto amamos a cultura negra?

Que apareçam mais Amandlas no cenário do entretenimento não só nos EUA, mas em tudo que é canto.

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