Paraná e Cracolândia: as duas faces da truculência policial e a indignação seletiva racista

A truculência policial para conter manifestações e organização de movimentos sociais não é algo novo no cenário político brasileiro. As cenas do ataque promovido pela PM-PR contra os professores que se manifestavam contra a modificação na ParanáPrevidência, dando assim direito ao governo de Beto Richa (PSDB) de mexer na previdência do funcionalismo público paranaense, demonstram o grau da barbárie que vivemos cotidianamente em nosso país. Os feridos, o sangue e a fumaça branca das bombas são elementos de uma cena que conhecemos bem e voltou a tomar conta do imaginário político brasileiro de forma massiva de 2013 pra cá.

A truculência policial comandada pela PM e pelo governo Richa contra os professores paranaenses deve ser denunciada de forma categórica, não podemos deixar que mais uma vez as imagens da violência e da barbárie caiam no esquecimento. Porém no mesmo momento em que os professores paranaenses faziam história também acontecia operação de reintegração de posse na Cracolândia, mais uma de várias que vem acontecendo no último período. Também houve tiro, porrada e bomba, mas o destaque para mais essa violação sistemática que os usuários da Cracolândia sofrem recebeu bem menos comoção e indignação.

No entanto, à medida em que as bombas, os cães, as balas de borracha e os cassetetes caíam sobre os manifestantes armados apenas com gritos e palavras de ordem, deputados preocupados com a onda de violência que se desenrolava na praça principal, em frente a Assembleia, batizada de Nossa Senhora da Salete (trágica ironia), chegaram a sair do prédio para pedir calma aos policiais. (Paraná em chamas)

A truculência policial contra os professores paranaenses e contra os usuários da Cracolândia partem da mesma raiz: a criminalização e marginalização daqueles que devem ficar quietos e aceitar de bom grado a violência estatal. Foram mais de 200 feridos no ataque truculento da PM-PR, 8 estão em estado grave, na Cracolândia 2 pessoas foram baleadas. Infelizmente o racismo estrutural ajuda na invisibilização do que aconteceu na Cracolândia, até por que o alvo em São Paulo eram pretos, pobres e usuários de crack, para estes a truculência policial é até compreensível.

Em ambos os casos a grande mídia fala em confronto. No Paraná o confronto era de bombas e balas de borracha de um lado e cartazes do outro, em São Paulo o confronto era entre balas de verdade e pedaços de madeira. No Paraná o algoz é o governo do estado, em São Paulo a operação tem a assinatura da prefeitura. Não há outro nome para a pouca repercussão do que aconteceu na Cracolândia em São Paulo: indignação seletiva e racista. A vida do usuário que morava nos barracos derrubados pela GCM e PM-SP vale menos aos nossos olhos do que a dos professores paranaenses.

A questão básica é que não dá para termos indignação seletiva neste momento de escalada da truculência policial apoiada profundamente pela direita brasileira. Como já dito, a raiz dos dois ataques é a mesma: Os invisíveis devem permanecer calados e aceitar o desmonte de suas vidas sem dar um pio. Essa premissa deve ser repudiada pelos movimentos sociais de conjunto, os governos e a polícia não tem o direito de aprofundar uma guerra contra a sua própria população, seja motivada pela guerra às drogas, seja motivada pela repressão política.

Os movimento sociais não podem ser coniventes com o racismo institucional, assim como não podem ser coniventes com o machismo e a repressão política. O dia 29 de abril de 2015 fica marcada pela urgência de se modificar profundamente o projeto de segurança pública que temos no Brasil, a Cracolândia e o Paraná são duas faces da mesma moeda. A moeda da guerra estabelecida contra a população brasileira, onde a bala, a bomba e a truculência são ferramentas aceitáveis para conter os indesejáveis, as mulheres, os pretos e os invisíveis.

É, a paciência é paulatinamente perdida em diversos cantos e de diversas formas diferentes em nosso país.

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Amandla Stenberger, a Rue de “Jogos Vorazes”, denuncia apropriação cultural no mundo pop

Fonte: Divulgação do filme Jogos Vorazes.

Fonte: Divulgação do filme Jogos Vorazes.

Vocês lembram da Rue? A aliada e amiga de Katniss na primeira vez que a heroína vai aos “Jogos Vorazes”. Então, a atriz, Amandla Stenberger, que interpretou a personagem do distrito 11 no primeiro filme da série gravou um vídeo falando sobre apropriação cultural violenta cultura negra realizada por Madonna, Taylor Swift, Katty Perry e Miley Cyrus.

A primeira coisa que acho incrível é o fato de uma garota de 16 anos, que atuou em um blockbuster importante para a cultura pop dessa geração ter uma crítica tão certeira sobre o faturamento que popstars, estilistas e afins tem em cima da cultura negra. Seja quando ela critica a Miley Cyrus fazendo twerk enquanto em seu clipe utiliza mulheres negras como apêndice (eu teria lembrado também da Lily Allen no vídeo Hard Out There que fez a mesma coisa), ou falando da Madonna usando grillz, Amandla faz um recorte fundamental no debate sobre apropriação cultural: estas pessoas se apropriam da cultura negra para ganhar milhões e se consagrarem como ícones pops arrojados.

No vídeo ela também resgata a intimada que Azelia Banks fez a Iggy Azalea na época em que Eric Garner foi estrangulado e se reabriu o processo de discussão e mobilização da negritude estado-unidense sobre racismo na segurança pública naquele país. Amandla também resgata uma entrevista muito boa de Azelia em que ela demonstra o quanto jovens brancos e jovens negros tem sua auto-estima trabalhada de forma diferente na sociedade e como a apropriação cultural ajuda nesse processo.

tweetamandlaO vídeo deu bastante repercussão nos EUA, e muito tentando colocar um confronto direto entre Amandla e as artistas criticadas. E a atriz apontou em seu twitter esse brutal “equívoco” da mídia estado-unidense. Ressaltando que o vídeo foi feito para suscitar reflexão e debate sobre a questão racial no mundo do entretenimento e não criar uma guerrinha de ego entre artistas.

Amandla encerra o vídeo com uma provocação importante, resgatando a importância de se relacionar o simbólico racial com as questões concretas que afetam os negros nos EUA: Como seria a América se amassemos os negros tanto quanto amamos a cultura negra?

Que apareçam mais Amandlas no cenário do entretenimento não só nos EUA, mas em tudo que é canto.

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Xuxa, combate ao racismo e 4 gerações de paquitas brancas

Xuxa

Fonte: Equipe X

Aí tu acordas, leva a filha na escola e dá uma olhada na TL do feice e te deparas com uma postagem da Winnie criticando a participação da Xuxa em uma campanha de combate ao racismo promovida pela prefeitura do Rio de Janeiro. A campanha, inicialmente, foi organizada pela Coordenadoria Especial da Diversidade Sexual para promover o debate sobre a homolesbotransfobia na cidade e conta com imagens de diversas pessoas famosas usando a camiseta da campanha. Dá para ver as imagens da campanha aqui.

Fonte: Divulgação. A única paquita negra em algum programa da Xuxa foi Natasha Pearce nos EUA

Fonte: Divulgação. A única paquita negra em algum programa da Xuxa foi Natasha Pearce nos EUA

Poderia passar despercebido, se não fosse o fato de que, no Brasil, os programas da Xuxa nunca contaram com uma paquita negra, como bem lembrou a Winnie. O questionamento sobre não haver paquitas negras em diversos programas feitos pela “Rainha dos Baixinhos” não são novos.

Em março de 2014, durante uma conversa de 2 horas no YouTube com fãs, Xuxa saiu pela tangente quando perguntada pelo assunto: “É bom você perguntar pra diretora da época”. Em outra conversa realizada com fãs no Facebook em julho do mesmo ano a apresentadora se deteve a dizer que atualmente não existem mais paquitas em seu programa.

Fonte: Divulgação. 1ª geração de paquitas.

Fonte: Divulgação. 1ª geração de paquitas.

A questão básica é que Xuxa é o marco de toda uma geração. Uma geração que tinha como principal referência de padrão de beleza e sucesso as assistentes da Rainha dos Baixinhos: loiras, brancas e magras. É óbvio que a falta de referência estética em programas de TV não é a única causa do processo de detonação de autoestima de crianças negras, gordas e indígenas em nosso país durante os anos 80, 90 e começo dos anos 2000. Porém, é inegável o quanto a falta de referências ajuda também a esmigalhar a autoestima de toda uma população e a construção tradicional.

Esse processo, inclusive, se refletiu na escolha de paquitas de 1995. Michele Martins passou por diversas etapas da seleção de paquitas daquele ano e em entrevista ao Mauricio Stycer, na época repórter da Folha de São Paulo, disse

Fonte: Divulgação. 2ª geração de paquitas.

Fonte: Divulgação. 2ª geração de paquitas.

acreditar que só não havia uma paquita negra até aquele momento por falta de iniciativa das meninas negras brasileiras. Bom lembrar que Martins não estava na geração de paquitas de 1995 e esse processo de nós mesmas nos culparmos por algo que, infelizmente, não está em nossas mãos só aprofunda a perversidade do racismo para as mulheres e crianças. Passarmos pelo processo de nos culpar por não ter as “qualidades” necessárias só ajuda no processo de quebra da nossa auto-estima. Digo isso por que tal postura ignora toda uma construção histórica que se ignora as diferenças estéticas negras. Nossa representação ao longo das décadas é a do exotismo, da hiper-sexualização e desumanização.

No fim dos anos 90, teve uma seleção para escolher as novas Paquitas. Eu perguntei a minha mãe por que entre elas não havia nenhuma igual a mim. Ainda não entendia conceitos étnicos. Eu só sabia que nunca me enquadraria no padrão necessário. Aquele foi um dia realmente traumático. (Xuxa E As Paquitas: Quando Eu Descobri O Racismo!)

Fonte: Divulgação. 3ª geração de paquitas.

Fonte: Divulgação. 3ª geração de paquitas.

É hipocrisia da Xuxa em dizer que é aliada da luta contra o racismo quando passou décadas reforçando um padrão de beleza excludente para o grosso das meninas do Brasil. Essa é a premissa básica. Mas sempre vem aqueles que lembram dela ter namorado Pelé e que a Adriana Bombom era paquita. Primeiro é importante lembrar o papel de subserviência ao sistema racista que Pelé protagonizou ao longo de tantos anos, além do fato de que ter um relacionamento amoroso com uma pessoa negra, indígena ou árabe não livra o indivíduo do racismo estrutural que forma a sociedade e de perpetuá-lo cotidianamente.

Cores e Botas (Colors & Boots) de Preta Portê Filmes.

Sobre a Adriana Bombom. Primeiro que ela só apareceu quando Xuxa organizou o “Planeta Xuxa”. Até então já havia acontecido os programas: Xou da Xuxa, Xuxa Star, Paradão da Xuxa, Programa Xuxa, Xuxa Park e Xuxa Hits. Todos eles com a participação de assistentes de palco, todas as paquitas no mesmo padrão de beleza caucasiano que é usado para embranquecer ideologicamente o Brasil.

Fonte: Divulgação. 4ª geração de paquitas e Adriana Bombom com figurinos diferentes.

Fonte: Divulgação. 4ª geração de paquitas e Adriana Bombom com figurinos diferentes.

Outra coisa importante de lembrar é que Adriana Bombom nunca foi paquita. E suas aparições no “Planeta Xuxa” seguiam justamente a toada da hipersexualização e exotismo. Aquele espaço bem garantido às mulheres negras na mídia brasileira: o de ser o maior objeto a ser consumido.

Nas raras ocasiões em que a sociedade expressa algum desejo por mulheres negras, é quase sempre pela ideia de que a mulher negra é um “sabor diferente” e “mais apimentado” de mulher. O corpo feminino negro é hipersexualizado, considerado exótico e pecaminoso. Quem nunca ouviu falar que a mulher negra tem a “cor do pecado”? Essa é a brecha que sobrou para que o racismo continue a ser imposto às mulheres negras: a dicotomia do gostoso, exótico e diferente, mas que ao mesmo tempo é proibido, impensável, pecaminoso e não serve para o matrimônio ou monogamia. (A objetificação e hipersexualização da mulher negra)

Não há como se colocar como aliada em uma luta contra a opressão, levanto em conta que não há nenhuma declaração, nenhum vestígio de reconhecimento de que ao longo de 20 anos seus programas e a forma de escolha de suas assistentes de palco ajudaram a manter o círculo vicioso do racismo estrutural brasileiro – acredito que não só brasileiro, pois na Argentina não havia paquitas negras também. É o básico de quem se pretende aliado a uma luta contra opressão estrutural e específica, reconhecer suas limitações, reconhecer seus erros, principalmente, quando tratamos de pessoas tidas como referência de opinião pública e diretamente relacionadas a construção de um imaginário coletivo junto a toda uma geração de crianças que não eram retratadas no elenco de seus programas. É por estas questões que a Xuxa se colocar como aliada da luta contra o racismo é hipócrita.

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16 estados têm mais pessoas em celas de prisão que em dormitórios da faculdade

O artigo abaixo é de autoria de David A. Love e foi publicado originalmente no The Grio. A tradução via Google Tradutor é minha mesmo.

Levando em conta a admissibilidade da PEC sobre Redução da Maioridade Penal por parte do nosso Congresso Nacional, o processo de privatização do sistema penitenciário que tem sido debatido de forma muito marginal e o processo geral de aumento do encarceramento em massa em nosso país os elementos levantados por Love podem ajudar na reflexão sobre o que ocorre aqui no Brasil.

Faculdade ou prisão: o que é mais importante? Em 16 estados na terra da liberdade, a resposta é prisão.

celas_euaComo foi relatado pelo MetricMaps, há 16 estados onde há mais corpos enchendo prisões do que estudantes vivendo em dormitórios de faculdades. O que é algo fascinante, e até perturbador, é que quase todos estes 16 estados estão localizados no sul dos EUA, a parte de baixo do país. Você deve ver o mapa, para compreender a gravidade da situação.

Deixe de afundar por um minuto. Mais pessoas atrás das grades do que nos dormitórios. O que isso poderia dizer sobre o sul dos EUA, que poderia explicar isso? Poderia ser por conta da tradição da escravidão, violência racial e segregação promovida pelas leis de Jim Crow, um legado de criminalização e desumanização das pessoas e o fato do povo não ter sido tratado bem?

Lembre que os Estados Unidos têm a maior população carcerária do mundo, mais de 2 milhões, são 500 presos por 100.000 habitantes (o número sobe para 700 se levarmos em conta a população que está em prisões locais). O diabo está nos detalhes, e, aparentemente, muito da história é no sul, onde a proporção de presos por habitantes (552 por 100.000) nos EUA é maior do que o nordeste (296), centro-oeste (389), ou oeste (418).

Fonte: Biblioteca do Congresso dos EUA

Fonte: Biblioteca do Congresso dos EUA

Desempacotando apenas um pouco mais, dentro da região sul mesmo, alguns estados são piores do que os outros. Por exemplo, a Louisiana é o estado com a maior taxa de encarceramento no país (867), seguido do Mississippi (686), Oklahoma (654), Alabama e Texas (648 cada).

Onde quer que se encontre encarceramento em massa, encontramos racismo e abuso. Como o estado com a maior taxa de encarceramento do país, a Louisiana pode gabar-se de ter uma porcentagem de encarceramento do seu povo maior do que em qualquer lugar do mundo. Louisiana é o lar de boa comida e boa música e uma rica cultura. Mas o estado Bayou prende 1 em cada 86 pessoas. Também na Louisiana, um júri unânime não é necessário para condenar alguém de um crime, ou até mesmo condenar à prisão perpétua.

A Louisiana é lar da Penitenciéria Estadual de Louisiana na cidade de Angola, a plantação que antes reunia escravos ainda funciona como uma plantação de escravos, com os presos em sua maioria negros que se dedicam a trabalhos forçados nos campos e guardas brancos tradicionalmente conhecidos como “homens livres”. Enquanto isso, 1 em 14 homens negros em New Orleans está preso, e 1 em 7 está sob algum tipo de supervisão governamental, seja na prisão ou em liberdade condicional.

No Alabama, um dos líderes de aprisionamento nos EUA, a população carcerária cresceu de 6.000 em 1979 para mais de 28.000 hoje, de acordo com a Equal Justice Iniciative. O estado possui algumas das sentenças mais longas do país para infratores violentos e não-violentos. O Alabama é culpado pelo maior crime de retirada de direito de sufrágio do país. Enquanto isso, as despesas de aprisionamento aumentaram 45% de 2000 para 2004, no Alabama, os gastos em educação aumentaram apenas 7,5%, dando credibilidade à ideia de que a educação sofre quando mais e mais prisões são construídas.

segregatedAlém disso, os juízes do Alabama – que são eleitos – pode substituir veredictos do júri, mesmo em casos de pena de morte. Alabama é também o único estado do país que não fornece financiamento do Estado para prestar assistência jurídica aos presos no corredor da morte. E, enquanto 65% dos crimes no estado envolvem vítimas de assassinato que eram negras, 80% das pessoas condenadas à morte foram condenadas pelo assassinato de vítimas brancas.

Enquanto isso, embora os negros sejam 27% da população do Alabama, eles são 63% da população carcerária. E nenhum dos juízes de apelação e apenas um dos procuradores eleitos é negro.

Não é por acaso que os estados que mais aprisionam – incluindo o extremo sul – estão entre os mais pobres e encontram-se no fundo do poço em termos de expectativa de vida, padrões de saúde e educação. Afinal, Dixie (como se chama o sul profundo dos EUA) tem uma grande experiência em privar as pessoas de oportunidades educacionais quando se proibiam os negros a ler e escrever, os  prendiam contra a vontade nas plantações de escravos. Além disso, os códigos de escravos criaram um estado policial que criminaliza as pessoas negras e os escolheu para punição. E na era da segregação Jim Crow só continuou a opressão racial e o trabalho forçado e prisões, mesmo até os dias atuais.

Então você vê, o sul tem uma longa história de priorizar prisões mais do que educação, o que poderia tornar-se a sua derrocada. E os investimentos em escolas são cortados à medida que mais prisões são construídas, apesar da queda da crimilidade durante as últimas décadas. Quanto mais dinheiro você tem para um, menos se tem para o outro. Alguns hábitos são muito difíceis de mudar.

 

 

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Spock pela diversidade em Star Trek

Nimoy_TakeiFazia muito tempo que não acessava o Democracy Now! E hoje quando fui ver o último programa me deparei com uma declaração bem bacana do George Takei – aos que não são geeks de plantão ele interpretou o Sulu em Star Trek por muitos anos – sobre a consciência que Leonard Nimoy – sim, o querido, o amado Sr. Spock que faleceu agora em fevereiro – tinha sobre inclusão e diversidade.

Quando Amy Goodman perguntou nesta sexta-feira (03/04) sobre a importância que Nimoy teve dentro do processo de Takei de inclusão no programa, o Sr. Sulu lembrou de quando começaram a produção da animação de Star Trek nos anos 70 Nimoy foi um dos primeiros a defender que a voz feminina que deveria dublar as mulheres da série de animação deveria ser a de Nichelle Nichols – a primeira Uhura – e George Takei.

Leonard foi uma pessoa extraordinária, além de ser ator brilhante e talentoso, ele era socialmente consciente. Por exemplo, quando “Star Trek” tornou-se uma série de animação, eles [os produtores] tinham um orçamento muito limitado. E assim, contrataram apenas Leonard, William Shatner, Jimmy Doohan, e Majel Barrett, para fazer as vozes de seus personagens e todas as outras vozes. Majel fez as vozes femininas, os outros fizeram as vozes masculinas. Mas, quando Leonard descobriu sobre isso, ele disse, este show é sobre diversidade. As duas pessoas que devem representar a diversidade são Nichelle Nichols que fez Uhura e George Takei que interpretou Sulu. E se eles não podem fazer parte deste show, então eu não estou interessado em fazê-lo. E ainda disse que se afastaria do show. Esse foi um ato muito raro, se afastar de um trabalho. Poucos atores fariam isso. Leonard fez isso. Ele era um bom amigo e solidário por toda parte. E nós tivemos um elenco diversificado. Ele nos abraçou e nós o abraçamos. Fomos gratos. Bem, eu o considerava um bom amigo. Veio para toda as peças de teatro que eu fiz, e foi aos bastidores para me dizer o que pensava. Ele era um grande cara. E representava o melhor de uma sociedade norte-americana inclusiva. (Star Trek’s George Takei on Leonard Nimoy: He Represented the Best of an Inclusive American Society)

O fato de alguém se solidarizar às minorias sociais de forma a largar um trabalho e indicar que não são brancos ou heteros dublando ou sendo protagonistas em filmes ou animações é algo raro. É efetivamente o lugar de aliado a luta na qual quem realmente é sujeito daquele embate seja protagonista e sem silenciamento.

Já gostava do Nimoy só por causa do Sr Spock, mas depois dessa história contata pelo George Takei fiquei feliz em ver que há gente no mundo do entretenimento que olha ao seu redor realmente.

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