Como é ser mãe solteira?

Faz alguns dias que um amigo me fez essa pergunta. Não é uma indagação de hoje na minha vida, é uma pergunta cotidiana que me faço desde que descobri a pixote dentro da minha barriga e decidi por tê-la. Uma das primeiras coisas que me fez pensar é que ser mãe solteira nada mais é a concretização do que é ser mãe cotidianamente.

FloripaProcurei por dados mais oficiais sobre a realidade das mães solteiras em nosso país, porém não encontrei. Há levantamentos do IBGE em 2009, entre as famílias com filhos, apontam 26% tem como referência alguém do sexo feminino e sem cônjuge.  Além disso em 2012 o IBGE divulgou que 37,3% das famílias brasileiras são chefiadas por mulheres, levando em conta esses parcos dados é possível compreender por cima que para parte das mulheres brasileiras ser mãe é ser mãe solteira.

Digo que ser mãe solteira é a concretização do que é ser mãe cotidianamente para refletirmos o quanto os papéis da divisão sexual do trabalho estão cotidianamente colocados de todas as formas. Estou falando no geral, – é claro que existem exceções mas não se reflete sociedade apenas pensando exceções, né?- quem levanta toda noite para fazer o bebê parar de chorar? Quem perde um dia de trabalho para cuidar da pequena doente? Quem enlouquece pensando em como otimizar o cronograma da vida da criança e da própria vida quando trabalha?

As tarefas são as mesmas, mas colocada apenas sobre uma pessoa. E aí me vem a bancada da direita mais reacionária e pauta um “Estatuto da Família” em que se caracteriza como família apenas união entre um homem cis e uma mulher cis. Ora, eu e Rosa somos uma família. Uma família diferente, uma família de dois, uma família que se ama, mas por causa do machismo e da heteronormatividade é invisibilizada, marginalizada ao ponto de não existir nem na forma jurídica.

marcha das vadiasBoa parte das mães solteiras o são não por decisão. A tal da produção independente das mulheres é algo que pertence a uma minoria das mulheres, normalmente as que tem poder financeiro para bancar uma rede muito custosa de amparo que não é realidade concreta da maioria daquelas que chefiam famílias. Ser mãe solteira é constituir família sozinha e ignorar isso é ignorar a sociedade brasileira.

Não bastasse o ignorar jurídico e político existente, ainda há o estigma. Quantas vezes não se escuta que se relacionar com mãe solteira é uma cilada? É criar filho dos outro e tantas bobagens. Ora, encarar olhares desconfiados quando se chega sozinha nos aniversários ou nas reuniões de escola (ainda mais quando tu és jovem e negra, imagina só a zica) não é das tarefas mais agradáveis. O julgamento cotidiano do por que só você e a criança pra cá e pra lá, como se carregasse uma marca amaldiçoada é algo tão machista e tão arraigado que nem os mais próximos percebem o quanto estão nos deixando desconfortáveis e corroborando com toda uma forma torpe de lidar com a maternidade.

Posso listar aqui as noites em claro pensando em quais escolas minha filha estudaria, planejando férias ou até mesmo acordada por que a pequena pegou a virose do semestre. A sensação de que tudo pode descambar e não se dar conta das coisas da rotina é quase que perene, mas se dissipa com um sorriso e uma lembrança de que até aqui deu certo e eu não preciso da benção do Eduardo Cunha para me dizer que eu tenho uma família e ela é uma família feliz.

20150108_155408Sinceramente, nunca pensei em casar, tive pessoas legais na minha vida, mas nunca pensei em casar e ter a família comercial de margarina. Mas sempre pensei em ter filhos e talvez ter tido uma filha sozinha seja reflexo direto desse anseio de tanto tempo. Óbvio que é difícil, é acordar a noite quando se está com febre e passar a noite toda acordada, é ter que lidar com possíveis problemas na escola sem ter com quem conversar cotidianamente sobre.

Para finalizar, ser mãe solteira é igual a ser pai solteiro. Com a diferença de que quando vemos pais solteiros achamos isso lindo, um guerreiro e exemplo a ser seguido. Quando vemos uma mãe solteira nada pensamos, pois ela apenas cumpre o papel que é de destinado a ela e nada mais e nada menos.

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O nome da Rosa

Aqui jaz
Rosa de Luxemburgo
Judia da Polônia
Vanguarda dos operários alemães
Morta por ordem
Dos opressores.
Oprimidos,
Enterrai as vossas desavenças!” (BRECHT, Bertold. Epitáfio)

Este texto era para ter sido publicado no dia 5 de fevereiro quando a minha Rosa fez 5 anos. Porém eu não consegui sentar para escrever, mas a ideia que eu tinha naquele momento também se enquandra neste dia em que uma das Rosas que dá nome a ela foi assassinada. Fazem 95 anos que Rosa Luxemburgo foi assassinada pela social-democracia alemã, aka reformismo.

Quando Luana estava escolhendo o nome da Rosa, um dia sentou comigo e falou: pensei em Rosa. É simples, fácil de aprender, fácil de escrever, e ela vai saber rápido falar de si mesma. Além disso, quero homenagear a Rosa Luxemburgo. (AMORIM, Paloma Franca. Cuba e as imagens)

Lembro de quando descobri que estava grávida. Sai do consultório e liguei do orelhão para meus dois grandes amigos, ambos viriam a ser os padrinhos da menina. Chorava de felicidade, sabia que seria difícil, mas não tinha medo.

Rosa foi um nom pensado em conjunto com um ex-amigo. Ele era gaúcho e morou por um tempo em São Paulo, acompanhou quase toda a minha gravidez. Foi esse rapaz com o qual não falo mais que sugeriu que a Rosa se chamasse Rosa. Lembro que havia falado que gostaria de um nome simples, fácil de aprender a falar e escrever e que tivess um significado forte. Veio Rosa.

Neste mês se completam 95 anos do brutal assassinato da comunista polonesa Rosa Luxemburgo. Ela foi uma combatente de primeira hora contra o revisionismo teórico que irrompeu no interior da social-democracia alemã. Condenou duramente o oportunismo de direita que ganhava corpo nas direções dos sindicatos alemães, e defendeu a experiência da revolução russa de 1905, especialmente o uso da greve geral como instrumento importante na luta revolucionária. Quando se iniciou a Primeira Grande Guerra Mundial e ocorreu a traição da maioria dos dirigentes da II Internacional, Rosa se colocou ao lado de Lênin contra a guerra imperialista e na defesa da revolução socialista. Foi fundadora do grupo spartakista que daria origem ao Partido Comunista da Alemanha. Após sua trágica morte, Lênin fez uma pungente homenagem à águia polonesa, heroína do proletariado mundial, no discurso de abertura do congresso de fundação da III Internacional. (BUONICORE, Augusto. Rosa Luxemburgo: A Rosa Vermelha do Socialismo)

Foi a necessidade que tinha de mostrar para a minha filha que antes dela nascer existiram mulheres que lutavam e construíram movimentos para emancipar a toda classe trabalhadora e dentre destes os mais marginalizados que ela leva em seu nome uma homenagem a duas grandes Rosas: Luxemburgo e Parks.

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Ser mãe é igual jogo de videogame: a próxima fase é sempre mais difícil

Olhando as coisas pela internet essa semana me deparei com um vídeo que todas as mães (autônomas ou não) deveriam assistir. Foi relembrando as minhas andanças como mãe, as dificuldades, as felicidades e a própria necessidade de compartilhar mais neste espaço sobre as vezes que a gente coloca as crias para dormir e deita do lado chorando caladinha por não ter para onde recorrer.

Vem a gravidez, as dores nas pernas, o parto. Depois o primeiro ano, as noites sem sono, a preocupação com o crescimento dos bebês, a iniciação da alimentação sólida, os primeiros passos. O tentar compreender os anseios dos filhos traduzindo choros, risos, grunhidos.

Junto com o passar de cada momento nos deparamos também com as nossas ansiedades. O não conseguir tocar mais tudo na nossa vida como antes, as limitações de se ter uma criança pequena que precisa de atenção e muitas vezes só tem a nossa atenção. É uma trincheira, uma corda bamba entre nós e eles. Porém há a vontade de cada passo ser superado para chegar do outro lado, olhar para trás e pensar: valeu a pena.

Talvez a primeira coisa que devamos pensar é: Dentre tudo o que ouço de rotinas, vivências e conselhos o que realmente serve para a nossa realidade? Qual é a nossa realidade e a dos nossos filhos? Como podemos usar coisas já presentes no nosso cotidiano a favor da gente e não como se fosse um empecilho? Não há resposta pronta, normalmente nos fazem acreditar que há, mas é uma bobagem.

Ser mãe é maravilhoso, mas somente nós sabemos a dor e a delícia de ser mãe, e o quanto esta escolha também nos coloca tarefas que as vezes não damos conta sozinhas. Mesmo que tentemos, e contando que nossa tarefa social seja a de criar os rebentos. Digo isso porque toda vez que pensamos em maternidade, vem a nossa mente comercial de margarina, família bonita, alegre e sem problemas. Quase nunca pensamos em noites mal-dormidas, desmame noturno, birras ao entrar ou sair da escola, introdução aos alimentos, relacionamentos interpessoais das crianças, as vontades delas que vão contra os nossos planos e tantas outras coisas. (FRANCA, Luka. Um pouco de culpa materna de uma mãe solteira)

Lidamos com a volta ao trabalho, a adaptação na escolinha, o acompanhamento pedagógico das crianças e como dar conta dessas coisas quando somos apenas uma tentando trabalhar, cuidar deles, cuidar da gente de uma forma saudável. Quantas de nós, mesmo casadas, tentamos dar conta da agenda dos filhos e da nossa própria agenda? Quantas de nós muitas vezes nos sentimos solitárias e prestes a sucumbir por achar que não damos mais contas? Por não saber lidar com as dificuldades não só do nosso cotidiano, mas também das críticas e comentários que ouvimos por aí?

Admiro as mães, admiro mais ainda aquelas que tocam o seu cotidiano sozinhas.

Muitas vezes ficamos receosas de estabelecer limites entre o que pode ou não fazer para nos ajudarem no lidar como nossas crianças, por que sim precisamos de ajuda, precisamos parar e pensar o que é melhor para nós e eles. Sem medo de estabelecer limites e até mesmo nos confrontar com aqueles que estão ao nosso redor. O lidar cotidiano dos filhos, ainda mais quando nos sentimos sozinhas e precisamos tirar forças sei lá de onde para continuar, só funciona se estabelecemos limites não apenas para nós e para as crianças, mas para os que estão de fora também. É díficil mediar tantas ansiedades e vontades de ajudar, mas é necessário. Até para podermos mostrar para nossos filhos que as vezes as regras mudam por que se mudou de casa, há a possibilidade de dar uma folga em algumas coisas e afins. Mas é sempre baseado no acordo cotidiano que nós temos. Nos combinados.

Eu vivo cheia de culpa materna, mas converso isso com a minha pequena, isso é presente na minha vida cotidiana. Assim como a minha filha eu também preciso lidar com as minhas frustrações e poder passar para a próxima fase.

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Quando eu aprendi que não precisava ser sozinha

Nos últimos dias tenho pensado muito no que eu me tornei nestes 4 anos de maternidade, quais lições realmente aprendi e em qual pessoa me tornei.

Bem, a Rosa não foi programada, mas ao mesmo tempo me trouxe os meses de espera mais felizes da minha vida, com algumas tempestades, dúvidas e medos. Mas a certeza de que naquele momento eu daria conta das adversidades de ser mãe solteira era absoluta.

Lembro do dia em que ela nasceu, cada minutinho, lembro de quando ela saiu de mim e parou na minha barriga. As duas cansadas, mas ali naquele momento eu sabia ter ganhado não apenas uma filha, mas uma companheira e que grandes desafios viriam pela frente.

Perdi as contas de quantas vezes chorei a noite enquanto ela dormia. Chorava com medo de não dar conta de nós, de não conseguir me levantar quando o sol aparecesse para poder dar continuidade a nossa vida, mas aí eu olhava para ela e a força brotava. A certeza de que no meio de tanta incerteza a gente perseveraria aparecia e me dava força para continuar.

Me apaixonei pela Rosa logo quando descobri que estava grávida, logo ao vê-la pela primeira vez em uma telinha de ultrassom no consultório do GO. Ela estava ali, esperando para me cativar para sempre.

Cometi alguns erros, os quais levo comigo para não acontecer novamente. Aprendi nessa maratona de maternidade que o amor pode se manifestar de diversas formas diferentes e não importa o momento ela sempre tem lugar no meu coração.

Não sei se a Rosa será minha única filha, mas uma certeza eu tenho: Rosa será minha única filha como mãe solteira/sozinha. Aprendi com ela que algumas coisas não fazemos sozinhas, não é plausível se fazer sozinha, é uma tarefa hercúlea e a qual não irei mais enfrentar de forma solitária.

Hoje eu lembro dos dias e noites em que passei acordada sozinha, foram poucos, porém não menos extenuantes. A incerteza de talvez não ter outros filhos vem por aí, apesar da vontade imensa que me arrebata cada vez que ouço uma amiga anunciar a gravidez e afins é automaticamente arrefecida por um: Não… Sozinha não mais.

A minha filha me fez voltar a sorrir, me fez ter preocupações de mãe, me fez ter vontade de mostrar o mundo e contar histórias.

Sobretudo, Rosa me ensinou que não é preciso ser sozinha, que é bom dividir as preocupações, pedir ajuda e que nem sempre precisamos nos esconder para chorar.

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Levar a cria para o trabalho, quem nunca?

Normalmente dar cabo desta estratégia deve ser feito apenas em momento de emergência, quando não se tem mais saída para nada. Até por que normalmente crianças não curtem nenhum pouco ficarem em locais em que não podem brincar, correr e fazer qualquer outra atividade por muito tempo. Elas se cansam, mesmo quando utilizados os artifícios dos jogos online, uma hora a única coisa que querem é sentar ao nosso lado para descansar, ouvir uma história ou brincar de faz-de-conta.

Quando se cria uma criança sozinha conseguir fazer este malabarismo normalmente é bem mais difícil, pois precisamos pensar na rotina das crianças, o que vão fazer e ainda nas responsabilidades junto ao trabalho. É de pilha a cabeça.

É sempre importante termos a mão algumas estratégias para entreter os pequenos e ao mesmo tempo conseguir trabalhar sem maiores prejuízos:

1- Sempre levar algum brinquedo que a criança goste, de preferência que não faça barulho;

2- Kit para desenhar é sempre muito bem-vindo dentro da bolsa;

3- Lanchinho;

4- Estabelecer algumas combinações com a criança do que dá ou não para fazer;

5- Criar alguma história sobre o local do trabalho.

Estas coisas dão certo por aqui, porém o ideal é sempre ter uma programação guardada na manga para não ter que levar as crianças ao trabalho. Até por que eles não merecem em meio as férias ficarem cercados de adultos discutindo coisas entre si e os fazendo boiar na batatinha. Para isso procurar perto de casa com agenda de férias que tenha entretenimento durante o tempo que festamos trabalhando, ou fazer acertos com os pais dos amiguinhos é sempre uma boa saída.

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