Retorno aos “Invisíveis Prazeres Cotidianos”

Este é um post que deveria ter sido feito em 2014, mas só agora eu creio que ele faz sentido. Há 11 anos eu participei de um documentário sobre blogueiros em Belém. Escrevo sobre isso neste momento pelo fato de estar em um momento de resgatar a pessoa que eu fui em Belém e recomeçar um período da minha vida sem estar atrelada a lembrança da minha mãe e no que ela pensaria das minhas ações.

2004 foi o melhor ano da minha vida, conheci pessoas incríveis, me apaixonei brutalmente pela primeira vez e decidi seguir a minha mãe até São Paulo. Revendo este documentário reencontrei uma Luka da qual gosto e odeio ao mesmo tempo, uma Luka Amorim que já era um rascunho de leve da Luka Franca, talvez um tanto mais medrosa.

Efêmero, eterno, on line, off line, aqui, acolá, em qualquer lugar. Eu blogo, tu postas, ele ou ela publica, eles comentam. Agora e para sempre. (Invisíveis Prazeres Cotidianos)

Pois bem, nestes 10 anos, o blog mudou. Passou de um amontoado de posts sobre o cotidiano de uma universitária belenense, para um espaço de reflexão e contagem sobre um cotidiano muito mais rico. O avançar e as mudanças neste blog são reflexos das minhas mudanças nesse período.

Revisitando aquele garota de quase 20 anos me deparei com um sentimento que me move até hoje. O de amar a minha cidade profundamente, mas saber que ali não é o meu lugar cotidiano. Amo Belém, a Rosa ama Belém, as pessoas que mais amo no mundo estão naquela cidade e eu sofro gigantescamente por não estar com elas. Me faz falta encontrar as minhas amigas para passear no parque ou pegar uma piscina com as nossas crianças, ou rever um punhadinho pequeno de pessoas com quem estudei e que até hoje fazem um sentido enorme estarem na minha vida, mesmo com diversas diferenças de pensamento, comportamento e visão-de-mundo.

Agora, prefiro sentar no bar e conversar com as pessoas a noite toda a ir para festas ferver até não poder mais. Gosto de olhar algumas das pessoas daquele documentário e perceber o quão fundamentais se tornaram na minha vida. Nailana foi importantíssima no meu encontrar como mãe solteira, fora o carinho imenso que recebi dela há algumas semanas (sinceramente ainda choro ao lembrar do carinho que recebi de todo mundo de Belém há algumas semanas, todos meus amigos ali são como se fossem minha família). Raffaié é meu grande parceiro de comentários, meu cara de mamão favorito e vez ou outra trocamos boas ideias on line. Jorane, a diretora, virou uma amiga fantástica, esteve ao meu lado em vários momentos difíceis e já demos muitas risadas juntas. A Lore, assistente de direção, é a mãe de uma das melhores amigas da minha filha.

Hoje a Belém que aparece por aqui é uma Belém pincelada com cores mais vibrantes do que o real. Uma Belém que povoa o meu coração de felicidade, mesmo eu sabendo das agruras que ali acontecessem. Mas ao mesmo tempo que aparece com pinceladas mais vibrantes, também aparece na sua totalidade a preocupação do que ali acontece e atinge diretamente os meus.

Para além de rever e reencontra um rascunho de Luka em um ano determinante na minha vida, percebi que borboletas amarelas me seguem em todos os lugares. Inclusive, aqui na casa nova há várias delas.

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